quinta-feira, janeiro 10, 2008

A primeira mulher, o último homem

Na história em quadrinhos Y – O Último Homem, Yorick – o único sobrevivente duma praga que varreu o sexo masculino da face da Terra – finalmente reencontra sua mãe, a deputada Brown, na Casa Branca. Porém, viúvas de políticos republicanos cercaram o lugar, fortemente armadas, pra tentar dar um golpe de Estado.

Yorick: Depois da morte de todos os homens, pensei que vocês, mulheres, estariam de mãos dadas nas Nações Unidas ou algo do tipo. Desde quando as mulheres se tornaram tão mesquinhas e... e loucas pelo poder?

Deputada Brown: Você não votou em Hillary?


Alguns vídeos importantes:




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sábado, março 17, 2007

Enquanto isso, na Sala de Justiça...

Eu ia ignorar essa notícia, mas ela tem sido repetida à exaustão no orkut e em diversos redutos nerds (os quais freqüento porque sou um, claro). A história é a seguinte: fãs de Heroes, durante uma convenção nos EUA, assistiram uma prévia do episódio 19 - que ainda vai demorar pra passar lá porque a série se encontra em hiato.

SPOILERS:

Pois bem, nesta prévia, o malévolo Linderman (Malcolm McDowell) vai revelar que anos atrás ele também foi um herói, membro de uma superequipe. Só que agora ele quer explodir Nova York (evento profetizado por diversos personagens na série) para conseguir construir um planeta Terra melhor. Essa idéia é basicamente a mesma de Watchmen, obra-prima das HQs de Alan Moore. Isso bastou pros fãs de HQs iniciarem uma polêmica discussão se a DC Comics (que ainda não se pronunciou a respeito), detentora dos direitos de Watchmen, deveria processar Heroes por plágio. Pra saber a história completa, clique aqui.

Pessoalmente, me parece caso pra terapia e não advogados. A série sempre fez referências fortes ao universo das HQs. Francamente, estou surpreso que as pessoas estão surpresas por Heroes homenagear (com boa dose duma saudável picaretagem) Watchmen. Duvido que o desfecho dessa trama seja parecido com o da HQ. E se a trama for divertida, que mal há? Leitores de HQs às vezes são intolerantes demais.

Nova York destruída? A DC Comics mais rica?
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sexta-feira, dezembro 01, 2006

Preacher agora é série de TV!


Notícia meio velha, mas tá valendo. Preacher, uma das melhores HQs de todos os tempos, escrita por Garth Ennis e desenhada por Steve Dillon, vai virar série de TV pela HBO! Isso é ótimo, porque na HBO Preacher vai ter toda a violência, palavrões e blasfêmias que tinha nos quadrinhos. Duvido que Hollywood ia permitir uma adaptação fiel - ia ser polêmica demais. Além disso um ou dois filmes não dariam conta da saga de Preacher. A HQ durou 75 números, com início, meio e fim bem definidos - sendo que os personagens principais passam por transformações radicais ao longo da série.

Pra quem não sabe Preacher conta a história de um pastor texano, Jesse Custer, cujo objetivo é destruir Deus por ter abandonado a humanidade. A HQ contava com diálogos, senso de humor e violência dignos de Quentin Tarantino. Mas suas principais referências cinematográficas sempre foram westerns estrelados por John Wayne e Clint Eastwood. Tomara que o seriado consiga transpor todas as qualidades dos quadrinhos.

Saiba mais sobre a futura série de tv em http://www.omelete.com.br/tv/news/base_para_news.asp?artigo=20878 e http://www.omelete.com.br/tv/news/base_para_news.asp?artigo=20906

Saiba mais sobre a HQ em: http://en.wikipedia.org/wiki/Preacher_(comics) ___________________________________________________________

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segunda-feira, julho 17, 2006

TOP 5: Adaptações de Histórias em Quadrinhos

Quais são as melhores adaptações de quadrinhos? É uma boa pergunta, mas eu tenho outra mais difícil: o que faz uma adaptação de HQ ser boa? Para fãs que seguem seus personagens favoritos nos quadrinhos a resposta é simples: fidelidade. E ai do diretor que ousar pular a cerca. É o penteado do protagonista que está errado, o uniforme com cores erradas, etc. Contudo, será a fidelidade a garantia de um casamento feliz entre filme e público?

Pessoalmente, acho a fidelidade cega um obstáculo pra esse casal. O tão aclamado Sin City é o maior exemplo disso. Ok, o filme duplica cada quadro do gibi original. Mas o resultado é um filme rápido demais, sem graça, emoção ou surpresas. Batman Begins é outro mal exemplo. Trata-se de uma obra mais preocupada em ser fiel e "realista" (num filme de super-heróis...) que contar uma história emocionante. Hulk de Ang Lee comete erro parecido com o de Batman Begins. Tenta transformar um assunto pop, como um monstro verde e zangado, num filme metido a sério. Alguém lembra da ingênua split-screen reproduzindo a idéia de quadrinhos no cinema?

Ao meu ver a boa adaptação de HQ não tenta necessariamente agradar os fãs (que geralmente não entendem de cinema) ou intelectualizar sua fonte. Ela simplesmente preserva os melhores elementos e idéias presentes dos quadrinhos, sacrificando os demais. Mais importante, ela usa recursos cinematográficos pra criar a atmosfera de um bom gibi ao invés de simplesmente simular seu formato (Sin City, Hulk).

E agora vamos à lista de minhas adaptações preferidas. Ela contém apenas filmes recentes porque minha memória não está boa para avaliar adaptações antigas como Superman de Richard Dooner.


Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005) = 9,5

O filme pode ser um bom modelo para adaptações futuras. Uma HQ pouco conhecida (portanto sem fãs xiitas), uma história enxuta e uma decupagem impressionante, especialmente nas cenas de ação. O clima de HQ é especialmente forte nos vilões nojentos e caricatos. Claro exemplo de projeto pensado para ser cinema.


Homem-Aranha 2 (Sam Raimi, 2004) = 7,5

Por enquanto a melhor adaptação de um personagem famoso. Dando a deliciosa sensação de uma aventura em série, o filme continua os conflitos dos personagens da primeira parte. A câmera de Raimi traduz o clima dos quadrinhos, com momentos de humor, romance e ação, sem nenhuma preocupação de ser "realista". Que venha a terceira parte!


X-Men 2 (Brian Synger, 2003) = 7

Assim como Raimi, Synger aprofunda e melhora todos os pontos fortes do filme original. Isso inclui as boas caracterizações (mesmo que o excesso de personagens atrapalhe), o subtexto político e as fantásticas cenas de ação. Um filme corajoso por criar um universo semelhante, mas não igual ao das HQs.


Constantine (Francis Lawrence, 2005) = 6

Talvez a mais subestimada adaptação dos últimos tempos. E daí que Constantine no gibi é loiro e inglês? Eles acertaram em quase todo o resto. O Constantine do cinema tem o mesmo cinismo, embora não a malícia (como assim ele não leva a Rachel Weisz pra cama?) das HQs. Um filme de ótimas sacadas visuais, apesar do enredo confuso.


Superman – O Retorno (Brian Synger, 2006) = 6

Uma adaptação elegante, mas um tanto fria, do mais famoso super-herói das HQs. Mesmo assim, repleta de cenas de tirar o fôlego (e não me refiro apenas as cenas de ação). E Brandon Routh é um bom dublê de Christopher Reeve. ___________________________________________________________

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quarta-feira, junho 07, 2006

Romero em Quadrinhos


Parei de escrever sobre quadrinhos neste blog porque queria me concentrar no assunto principal – cinema. Porém, tive que abrir uma exceção. Quem curte o cinema do mestre (gênio, mago, etc) George Romero não deve perder de jeito nenhum Os Mortos-Vivos, HQ cujo primeiro volume, Dias Passados, já está disponível. Eu acho que é a coisa mais próxima do cinema de Romero já feita em quadrinhos. Na introdução do volume o criador da série, Robert Kirkman, declara ser fã de Madrugada dos Mortos e outros filmes de zumbi com questionamentos sociais.

A série é mensal nos EUA (Dias Passados contém os seis primeiros números) e conta a história do policial Rick, que tenta achar sua família e sobreviver num mundo infestado de mortos-vivos. Os zumbis seguem as mesmas regras do cinema de Romero: silenciosos, famintos, multiplicam-se, etc. A arte de Tony Moore (em p&b) é expressiva e capta bem a atmosfera de terror. Contudo, assim como no cinema de Romero, o verdadeiro horror está no ser humano e sua incapacidade de se unir diante da morte certa.

Muitos outros sub-temas são apresentados em Dias Passados: questões familiares, diferenças entre os sexos e armas de fogo como símbolos de poder. As semelhanças com o universo criado por Romero são grandes, mas Kirkman e Moore parecem ter personalidade própria. Como uma série de quadrinhos é mais extensa que um filme, fica a esperança que os personagens e idéias da HQ cresçam e se desenvolvam. Vamos ver se isso se confirma nos próximos volumes a serem lançados (pela HQM Editora). Definitivamente um começo promissor.

Os Mortos-Vivos: Dias Passados (Robert Kirkman e Tony Moore, 2003) = 6 ___________________________________________________________

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quinta-feira, março 16, 2006

OS ATRASADOS

Nos últimos dias estive ocupado terminando minha monografia pra faculdade. Ontem, finalmente entreguei suas 58 páginas. Pros curiosos, o assunto era a HQ Maus – A História de Um Sobrevivente. Pra quem não leu basta dizer que é, sem exagero, uma das maiores histórias em quadrinhos de todos os tempos. Bom, voltando ao assunto, O Negativo Queimado deixou de ser atualizado quase diariamente como eu costumava fazer.

Com isso deixei de escrever sobre diversos filmes, livros e quadrinhos. Isso quando arranjei tempo para ver filmes, ler livros, etc. Bom, resumindo, é muita coisa atrasada para escrever críticas de 1500 caracteres como costumo fazer. Também não quero escrever comentários de duas linhas. Por isso, segue abaixo apenas a cotação dos atrasados. Espero daqui pra frente atualizar o blog com mais freqüência.

FILMES


Elas Me Odeiam Mas Me Querem (She Hate Me, 2004, de Spike Lee,) - ***
Ritmo de Um Sonho (Hustle & Flow, 2005, de Craig Brewer) - *
O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005, de Ang Lee,) - ***
Sra. Henderson Apresenta (Mrs. Henderson Presents, 2005, de Stephen Frears) - *
Tale of Two Sisters (idem, 2003, de Kim Jee-Woon) - ***

LIVROS


A Sangue Frio (In Cold Blood, 1965, de Truman Capote) - ****

QUADRINHOS


Crise de Identidade # 1-7 (Identity Crisis # 1-7, 2004/2005, de Brad Meltzer e Rags Morales) - *** ___________________________________________________________

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quarta-feira, fevereiro 15, 2006

CURIOSIDADE


É impressão minha ou Crise de Identidade 6 tem o melhor final-surpresa dos últimos tempos? E a mini-série só conclui daqui a 30 dias... ___________________________________________________________

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terça-feira, fevereiro 14, 2006

QUADRINHOS: Camelot 3000


Camelot 3000 (idem, 1982, de Mike W. Barr e Brian Bolland) - ***

Camelot 3000 (roteiro de Mike Barr, arte do mago Brian Bolland) é um épico. Começa com uma lenda: Rei Arthur ressuscitará quando a Inglaterra mais precisar. Bem, no ano 3000 alienígenas invadiram o planeta e a Inglaterra... Arthur retorna acompanhado por Merlin, Excalibur e cavaleiros da Távola Redonda. Os últimos, reencarnados como pessoas "comuns" de 3000.

Esta combinação de Fantasia/FC em 12 edições foi um marco nas HQs em 1982. Ajudou a estabelecer o conceito de "quadrinhos adultos". Dois anos depois a Editora Abril publicou a saga em formatinho. Pior, censurou trechos – como uma cena de sexo lésbico. Houve relançamentos sem cortes, mas a edição recente da Mythos Editora é a melhor. O volume contém os 12 capítulos em formato americano. Capa, cores e papel estão acima da média brasileira. Porém, o preço de R$ 59,90 não se justifica. Pelo mesmo custo, Sandman da Conrad Editora tem qualidade infinitamente superior!

Melhor que reclamar dos preços é analisar o trabalho artístico. Barr adaptou cada elemento do mito, incluindo o triângulo amoroso Arthur/Guinevere/Lancelot. Mesmo suas licenças poéticas geraram tipos inesquecíveis como Sir Tristão. O cavaleiro, reencarnado como mulher (bonita), tem nojo do próprio corpo! Essa figura com dúvidas sexuais foi pioneira nas HQs de aventura. Personagens assim ganham vida nos desenhos de Bolland. Você vê na página emoções como paixão, coragem e lealdade. Para Bolland e Barr, tais valores são mais que lendas antigas. Importam ontem, hoje e no ano 3000. ___________________________________________________________

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domingo, janeiro 15, 2006

QUADRINHOS: WE3 - Instinto de Sobrevivência


WE3 - Instinto de Sobrevivência (WE3, 2004/2005, de Grant Morrison e Frank Quitely) - ****

O escocês roteirista de Quadrinhos Grant Morrison quase sempre consegue fazer trabalhos absurdamente geniais e exóticos, em cima de historinhas clássicas, fórmulas já consagradas. Ele consegue ser surreal e tradicional ao mesmo tempo, qualidade que divide fortemente opiniões dos leitores de HQs. Pessoalmente, acho o trabalho do homem (quase sempre) genial. Uma coisa legal neste WE3 - Instinto de Sobrevivência é que ele se juntou a um desenhista tão louco quanto ele, o também escocês Frank Quitely (antes trabalharam juntos em Novos X-Men). Com total liberdade criativa, o resultado só podia ser uma obra-prima. Acho difícil uma História em Quadrinhos melhor que essaser lançada em 2006.

WE3 é uma minissérie em três edições, originalmente publicada entre os anos de 2004 e 2005. Aqui no Brasil foi lançada pela Panini num volume só, uma edição quase perfeita (o trabalho de cores deixa um pouco a desejar neste volume brasileiro). A história beira o ridículo. O exército americano junto com cientistas criou três animais - um cão, um gato e um coelho - com armaduras cibernéticas, para usá-los como poderosas armas de guerra. O coelho é especialista em explosivos, o cão é um supertanque de guerra (incluindo misséis terra-ar e aparentemente munição infinita) e o gato é uma espécia de ninja assassino cibernético (veja a foto de novo).

No começo a missão deles é matar secretamente ditadores que os EUA não gostam. Porém quando o trio vai ser eliminado já que sua tecnologia está obsoleta comparada com outras bichos ciborgs sendo desenvolvidos eles se revoltam e escapam do laboratório. É uma longa sequência (6 páginas divididas em 18 quadrinhos cada) de desenhos fantásticos, onde cada quadrinho equivale a uma câmera de segurança do laboratório. Enquanto fogem são perseguidos por muitas ameaças diferentes, como o leitor vai descobrir. São cenas e cenas de ação de tirar o fôlego, tamanha é a segurança e inovação de Quitely na arte.

Mas também é uma história tocante de três animalzinhos perdidos e sem lar. Na verdade WE3 copia descaradamente a estrutura de todos aqueles filmes de animais (geralmente produções Disney) tentando voltar pra casa. Com a diferença que o trio nem sabe direito o que significa a palavra "casa". Ah, esqueci: graças a tecnologia das armaduras, os bichinhos sabem falar. Mas Morrison não comete o erro de tornar os animais muito inteligentes. Eles continuam animais que basicamente só se expressam em palavras simples: comida, bom/mau, perigo. Mas é incrível como apesar desse vocabulário limitado Morrison consegue dar voz, personalidade, humanidade e uma universalidade aos sentimentos de cada um deles. Muito embora o coelho seja o mais difícil de entender, já que é o menos inteligente dos três e o que mais tem dificuldade com as palavras. Só entendi algumas de suas ações ao longo da história relendo WE3 várias vezes. Mas não considero isso uma falha, pelo contrário, mas uma das muitas decisões acertadas de Morrison no roteiro.

O contrário ocorre com os personagens humanos, desenhados de forma desumana (você quase não vê os rostos deles) e seus diálogos são prolixos, vagos, ambiguos, cheios de segundas intenções. Morrison está do lado de seus animais e sua luta por liberdade, não tenham dúvida. Mas não cai no maniqueísmo: os militares se preocupam muito com a possibilidade de morte dos civis e perdas desnecessárias de soldados envolvidos na caçada.

Por fim, apesar de sua estrutura quase previsível (basicamente uma única cena de perseguição e luta com intervalos) WE3 - Instinto de Sobrevivência desenvolve com muita propriedade temas como direitos dos animais, perigos da tecnologia bélica, excessos da política americana no mundo, família e amizade. Enfim, uma História em Quadrinhos fantástica.

Para os curiosos, eis um link para uma outra crítica . E link para entrevista com Grant Morrison. ___________________________________________________________

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