segunda-feira, novembro 03, 2008

32ª Mostra Internacional de Cinema (Balanço Final)

Confesso que de um modo geral esta Mostra não me empolgou muito. A seleção deste ano teve poucos filmes que já me interessavam previamente (filmes bem falados, cinestas conhecidos, etc) e poucas surpresas que realmente valeram a pena. Entre elas, o português Aquele Querido Mês de Agosto (meia surpresa, já que tinha sido bem falado no Rio), os vampiros suecos de Deixe Ela Entrar e o francês esquisito (e bota esquisito nisso) Steak. Fiquem com o meu Top 5 desta mostra:

1º Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes, 2008)
2º A Fronteira da Alvorada (Philippe Garrel, 2008)
3º Sonata de Tóquio (Kiyoshi Kurosawa, 2008)
4º A Floresta dos Lamentos (Naomi Kawase, 2008)
5º Deixe Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2007)

Melhor Ator:

Os três Reis-magos de O Canto dos Pássaros

Melhor Atriz:

A menininha assustadora de Deixe Ela Entrar.

No mais encerro minha cobertura da Mostra por aqui, já que é improvável que eu compareça a qualquer uma das sessões de respecagem. E lamento ter escrito muito pouco sobre os filmes que vi, seja aqui no blogue ou na Paisà. Vontade e idéias não me faltaram, mas a desorganização sobrou. Isso, porém, é assunto pra outro dia. ___________________________________________________________

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terça-feira, outubro 28, 2008

A primeira mancada da Mostra 2008

Ok, talvez não tenha sido a primeira, mas certamente foi a maior até agora. A estréia no Arteplex de Nucingen Haus, do sempre esquisito Raul Ruiz, foi um tremendo fracasso. E pra azar do Leon Cakoff, a platéia não poderia ter sido a mais exigente possível: a maior concentração que vi numa sessão até agora de críticos da Contracampo, Cinética e Paisà (incluindo este escriba).

Com um minuto de projeção já dava pra perceber que a cópia era uma DVD-Cam vagabunda, com cores distorcidas, chuviscos e fantasmas na tela. Pior, dava pra perceber que cópia foi gravada na janela errada, já que as legendas em inglês estavam cortadas pela metade. Ou seja, dessa vez a culpa não era do projecionista. O que talvez fosse culpa do projecionista era que a projeção estava ocorrendo sem som (como o Ruy Gardnier apontou na cervejada ocorrida depois, provavelmente porque o filme estava sendo exibido em velocidade rápida).

Em menos de cinco minutos a debandada foi geral pra exigir o dinheirom do ingresso de volta. Se a Mostra não tomar vergonha na cara e cancelar as exibições do filme (mesmo consertando o problema do som, a cópia do filme é inadmissivel) evite de qualquer jeito Nucingen Haus. ___________________________________________________________

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domingo, outubro 26, 2008

Segurando as Pontas

(David Gordon Green, 2008)

Revista Paisà atualisada. Minha primeira contribuição pra cobertura da Mostra SP. O filme maconheiro de David Gordon Green é muito bacana, inperdível até, ainda que ligeiramente decepcionante. Minha pequena crítica tenta dar conta dessa contradição. Pra ler minha crítica, clique aqui. ___________________________________________________________

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terça-feira, novembro 06, 2007

Canções de Amor

(Christophe Honoré, 2007)

Canções de Amor é ainda mais lindo e melhor resolvido que o filme anterior do Honoré, Em Paris. Contudo, se você relevar o fato de que fazer um musical hoje em dia – cujo enredo é sobre um menino, envolvido com duas meninas, que depois acha a felicidade com outro menino – é por si só um ato de ousadia, talvez fique a sensação de um filme aquém de suas próprias possibilidades. Isso porque embora Honoré filme o ménage à trois com carinho e sem julgamento, ele o faz com certa distância, evitando os aspectos emocionais e sexuais mais intensos duma relação assim. Felizmente, há uma proximidade maior na câmera do diretor quando Louis Garrel se envolve com o outro rapaz. Ainda assim, o cineasta corta o filme no final feliz, antes de explorar mais desdobramentos dessa relação.

Dito isso, é importante reconhecer que Honoré evoluiu em relação ao Em Paris. Aqui ele equilibra melhor a melancolia de seus personagens com a vontade de fazer um filme nem um pouco naturalista. Dessa mistura ele cria belos momentos (talvez Honoré seja um cineasta de grandes cenas, não grandes filmes): os números musicais nada espetaculares, todas as cenas de Garrel com a família da Ludivine Sagnier, sua generosidade (calculada) ao filmar seres humanos tentando trepar e amar sem medo de errar. Ainda não sei se Honoré é gênio ou picareta, mas aguardo seus próximos filmes entusiasmado. ___________________________________________________________

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segunda-feira, novembro 05, 2007

Em Paris

(Christophe Honoré, 2006)

É um filme irregular: quando erra é muito ruim; quando acerta é muito bom. Quase tudo que não funciona envolve o personagem de Louis Garrel, que parece estar num outro filme. Na verdade, ele sabe que está num filme e quase todas as suas proezas só são possíveis na terra mágica dum cinema que quer ser tão fofinho quanto o pior Truffaut. Mas há outras coisas muito mais bonitas e interessantes neste Em Paris. É um filme que começa forte, com o fim dum relacionamento amoroso mostrado em elipses que registram a deterioração do casal sem jamais explicá-la.

Essa separação tem conseqüências fortes no personagem de Romain Duris (no filme, irmão do Garrel) e Em Paris passa a ser também sobre como sua família problemática reage a sua depressão. Embora o filme se torne aparentemente mais linear nesta segunda parte, com a ação transcorrendo no período de um dia, ele apenas repete de maneira mais ampla o procedimento da primeira parte. Ou seja, o drama emocional e familiar continua sendo filmado em momentos, vários muito expressivos. Seja a visita da mãe, a leitura do livro infantil, o flash-back da ponte, etc. Um desses momentos – a canção durante o telefonema – além de especial, antecipa o filme seguinte de Honoré, Canções de Amor, ainda mais belo que este Em Paris.
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domingo, novembro 04, 2007

Paranoid Park

(Gus Van Sant, 2007)

“O que é a idade, a passagem do tempo, senão aquilo que fica inscrito nos rostos?” – Serge Daney, A Rampa

Paranoid Park é um filme de transição – de Gus Van Sant buscando novos caminhos pro seu cinema após a aclamação de sua “trilogia da morte”: Gerry, Elefante, Últimos Dias. Bem adequado então que o protagonista Alex seja um skatista na adolescência, fase em que a transição é regra. Van Sant repete aqui procedimentos já vistos nos filmes supracitados, como corpos em movimentos, ausência de relações de causa-efeito. Mas ele também se arrisca e cria coisas novas, como imagens super-8 que colocam a gente a bordo dos skates em suas manobras radicais, enquanto a mixagem de som atinge novos níveis de experimentação.

Entretanto, a inovação mais importante é que dessa vez Van Sant não quis apenas filmar um personagem sem fazer julgamentos óbvios; agora ele quer escutá-lo. Daí que Paranoid Park é um relato subjetivo dirigido ao público, ainda que a gente só se dá conta disso no fim. Alex, o skatista, escreve sua versão dos fatos, Van Sant filma eles. Quando Alex termina de escrever, fim do filme. Nem tudo que Van Sant faz dá certo, mas Paranoid Park nos deixa ansiosos pela pós- adolescência do cineasta. ___________________________________________________________

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sábado, novembro 03, 2007

Cada Um Com Seu Cinema

(diversos, 2007)

Trata-se dum filme de episódios feito pra comemorar os 60 anos de Cannes. A única restrição que os diretores de cada episódio receberam foi de que seus curtas deveriam ter como tema o cinema. Pois bem, analisando o filme como um todo, chega-se a conclusão que o cinema vai mal: o destes senhores (a maioria dos diretores tem idade considerável) e do resto do mundo. Belo presente de aniversário pra Cannes!

É decepcionante ver tanta gente (alguns até bem talentosos) ceder a tantos lugares-comuns: sexo no escurinho, cegos no cinema, pessoas entrando dentro do filme (estilo Rosa Púrpura do Cairo), etc. Desses clichês, o que mais chamou a atenção de mim - e de outras pessoas - foram as salas desertas, quase uma regra em todos os curtas. É muito significativo que o última curta, de Ken Loach, sobre pai e filho na fila do cinema termine com a dulpa desistindo de ver um filme pra assistir um jogo de futebol. Já o curta de Croneberg (um dos melhor encenados) prevê um futuro sombrio em que o último judeu vivo vai se matar no último cinema - o curta termina de maneira ambigua, sem revelar se o judeu se matou.

Por isso, os poucos curtas que realmente gostei são aqueles que (com exceção do Cronenberg) preferiram apostar na sobrevivência do Cinema (ou de seu cinema) e na presença do espectador, seja lá de que forma. Por exemplo, os episódios de Manoel de Oliveira e Elia Suleimann são excelentes. Além disso, fiquei muito surpreso com a fé dos irmãos Coen de que o cinema pode se comunicar com qualquer pessoa. Assim como já era de se esperar a generosidade do ótimo curta de Nanni Moretti, pregando a possibilidade de qualquer tipo de cinema. Ou seja, enquanto uns temem o futuro, outros estão prontos pra abraçá-lo. Realmente, cada um com seu cinema. ___________________________________________________________

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sexta-feira, novembro 02, 2007

Prêmio Jairo Ferreira da Mostra SP

Nota publicada no Cinequablog. Pra conhecer o blog, clique aqui. Pra visitar o Cinequanon, clique aqui.

Le voyage du ballon rouge e I´m not there vencem prêmio Jairo Ferreira da crítica independente e Questão Humana ganha prêmio da crítica da Mostra

Os críticos dos site Cinequanon, Cinética, Contracampo e da Revista Paisá deram o Prêmio Jairo Ferreira da 31ª Mostra para os filmes Le voyage du ballon rouge de Hou Hsiao-Hsien e I´m not there de Todd Haynes. Em terceiro lugar na votação que reuniu cerca de 20 críticos ficou A Questão Humana de Nicolas Klotz, em quarto En la Ciudad de Sylvia de José Luis Guerín e em quinto Paranoid Park de Gus Van Sant. Questão Humana de Nicolas Klotz ganhou também o prêmio da crítica oficial como melhor filme da Mostra.
Cesar Zamberlan ___________________________________________________________

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Sukiyaki Western Django

"(...) Miike flerta e depois casa com Kill Bill, mas sem jamais atingir a mesma graça, interesse dramático ou estético (...)"

Crítica publicada no blog da Revista Paisà, só que esqueci de linkar daqui pra lá (foi mal Sérgio!). Antes tarde do que nunca. Sukiyaki não é nem de longe uma catástrofe, mas foi minha maior decepção durante esta Mostra. Pra conhecer o blog da Paisà, clique aqui.
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quinta-feira, novembro 01, 2007

31ª Mostra Internacional de Cinema (Balanço Final)

Ok, não vou postar a lista completa dos filmes vistos nesta Mostra porque é uma tarefa ingrata. Pensa que é fácil alinhar essas estrelinhas vermelhas no post? A coluna lateral do blog está aí pra isso mesmo. Portanto, fiquem só com meu Top 10 (o que é muito mais interessante), além de outras categorias especiais...

Os cinco primeiros são obras-primas:

1º En La Ciudad de Sylvia (José Luis Guerín, 2007)
2º I’m Not There (Todd Haynes, 2007)
3º Le Voyage du Ballon Rouge (Hou Hsiao-Hsien, 2007)
4º Go Go Tales (Abel Ferrara, 2007)
5º Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Sidney Lumet, 2007)

Já estes são “apenas” excelentes (três estrelas):

6º Redacted (Brian De Palma, 2007)
7º Império dos Sonhos (David Lynch, 2006)
8º Paranoid Park (Gus Van Sant, 2007)
9º Senhores do Crime (David Cronenberg, 2007)
10º Inútil (Jia Zhang-Ke, 2007)
11º Não Toque no Machado (Jacques Rivette, 2007)
12º Glória ao Cineasta! (Takeshi Kitano, 2007)

Importante observar que Cristóvão Colombo do Manoel de Oliveira não está na lista porque ele perdeu sua força comigo com o passar do tempo, caindo de três pra duas estrelas. Enquanto isso Não Toque no Machado do Rivette só cresceu na minha mente e ganhou uma estrela a mais.

Quanto aos atores, procurei lembrar apenas dos protagonistas, caso contrário eu não conseguiria terminar este post.

Melhor Ator

1º Mathieu Amalric, por A Questão Humana
2º Willem Dafoe, por Go Go Tales
3º Viggo Mortensen, por Senhores do Crime
4º Guillaume Depardieu, por Não Toque no Machado
5º Philip Seymour Hoffman, por Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
6º Takeshi Kitano, por Glória ao Cineasta!

Melhor Atriz

1º Todo o elenco feminino de En La Ciudad de Sylvia
2º Juliette Binoche, por Le Voyage du Ballon Rouge
3º Laura Dern, por Império dos Sonhos
4º Cate Blanchett por I’m Not There
5º Analia Couceyro, por O Passado
6º Jeanne Balibar, por Não Toque no Machado

Decidir quais foram os melhores momentos dos filmes vistos na Mostra é um tarefa complicada porque há filmes com dezenas de cenas que merecem ser lembradas, enquanto outros têm seqüências tão interligadas que fica difícil separar um momento isolado (como Império dos Sonhos ou I’m Not There). Por isso a lista abaixo é assumidamente imperfeita.

Melhor Cena ou Seqüência

1º O escritor observa as mulheres no café (En La Ciudad de Sylvia)
2º O monólogo final de Willem Dafoe (Go Go Tales)
3º O afinador de piano (Le Voyage du Ballon Rouge)
4º Viggo Mortensen enfrenta dois assassinos numa sauna (Senhores do Crime)
5º A duquesa é seqüestrada (Não Toque no Machado)
6º “Vocês querem ouvir uma história de guerra?” (Redacted)

Pra concluir, continuem de olho na coluna lateral do blog porque vou continuar vendo filmes da Mostra durante a repescagem. Também vou rever os filmes mais importantes e aproveitar a calmaria pra escrever críticas mais extensas sobre eles. Aguardem! ___________________________________________________________

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quarta-feira, outubro 31, 2007

Pílulas da Mostra

Caos (Youssef Chahine & Khaled Youssef, 2007)

Eu gosto dos novelões do Chahine (Alguém viu Alexandria Nova York?), mas esse aqui é capenga demais. Culpa do Youssef?

Cristóvão Colombo - O Enigma (Manoel de Oliveira, 2007)

A importância da História em nossas vidas. Seja a História oficial (dos livros escolares), a não-oficial e a dum casal unido há décadas.

De Volta à Normandia (Nicolas Philibert, 2007)

Um agradável trabalho de recuperação do passado, mas sem nostalgia reacionária. Contudo, por vezes Philibert parece estar apenas enchendo lingüiça.

Glória ao Cineasta! (Takeshi Kitano, 2007)

Comédia maluca sobre (e de) um cineasta que esgotou sua criatividade ou uma tiração de sarro com a possibilidade de filmar esse esgotamento? A resposta provavelmente é: as duas coisas. A primeira meia-hora é a mais engraçada.

O Homem de Londres (Béla Tarr, 2007)

As escolhas formais de Béla Tarr raramente se justificam. Pra começo de conversa, a fotografia é bonita demais prum filme que tenta retratar a vida áspera dum trabalhador do porto. Parece portfólio de que alguém tentando provar que é gênio.

Inútil (Jia Zhang-Ke, 2007)

Quando você começa a concordar com o ponto de vista de um dos retratados neste documentário, Jia Zhang-Ke puxa seu tapete e mostra que o ponto de vista oposto também é válido. Grande Jia!

A Questão Humana (Nicolas Klotz, 2007)

Belíssimo filme sobre um certo mal-estar contemporâneo onipresente (o filme se chama A Questão Humana, pô). A mentalidade do mundo empresarial em toda sua violência. Só não tenho certeza se a segunda metade do filme casa tão bem com a primeira.

Redacted (Brian De Palma, 2007)

“Quando você filma alguma coisa, no fundo você concorda com o que está filmando” – diálogo do soldado-cineasta. O grande dilema do mundo audiovisual.

Senhores do Crime (David Cronenberg, 2007)

Taí um filme complicado, que exige atenção. Seus defeitos aparentes talvez sejam suas virtudes e vice-versa. Freqüentemente dá a sensação que a câmera de Cronenberg briga com o texto. ___________________________________________________________

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segunda-feira, outubro 29, 2007

O melhor filme da Mostra

Simplesmente não há competição. Quando o Filipe Furtado disse que o obscuro En La Ciudad de Sylvia era o melhor filme exibido na Mostra, imaginei que ia ser um bom ou até grande filme, mas tive dúvidas que também ia achá-lo o "número 1" do festival. Afinal, toda unanimidade é burra. Bem, o filme é tudo isso mesmo que estão dizendo e daqui pra frente torna seu diretor, o espanhol pouco conhecido José Luis Guerín um cineasta imperdível. Veja enquanto ainda dá tempo e enquanto o grande público da Mostra não descobre esta jóia (na minha sessão havia um público relativamente pequeno). Imperdível! Maravilhoso! Obra-prima!

Ainda dá tempo:

30/10 Terça-feira
Unibanco Arteplex 1 22:40

01/11 Quinta-feira
Cine Bombril Sala 1 20:50

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sexta-feira, outubro 26, 2007

O demônio encarnado

Hoje, após a sessão dupla de Zé do Caixão, foi bacana perceber durante o debate que José Mojica Marins é ainda mais sinistro que sua criação mais famosa. Além disso, foram exibidos trechos de seu mais novo filme, Encarnação do Demônio. Tecnicamente falando é seu melhor filme. Esteticamente ele também parece promissor: a cena em que Zé do Caixão é libertado da prisão é, desde já, antológica. Além disso Jesse Valadão tava com cara de quem se divertiu muito no papel. Durante o debate Mojica revelou que o filme terá muitas cenas de tortura - até falaram em superar o Takashi Miike! E o produtor disse que está confiante num sucesso estrondoso do filme no Brasil e no resto do mundo. Pelo visto Encarnação do Demônio vai ter uma superaposta das distribuidoras. Agora é torcer pra tudo dar certo na estréia em 2008. ___________________________________________________________

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quinta-feira, outubro 25, 2007

Império dos Sonhos

(David Lynch, França / Polônia / EUA, 2006)

Muitos elogios serão feitos ao novo Lynch e o filme – em menor ou maior grau – merecerá todos eles. Então por enquanto vou falar sobre o que me incomodou (no mau sentido mesmo) no filme. Império dos Sonhos é uma incrível contradição: por um lado tem alguns dos momentos mais belos, misteriosos e intensos da carreira de Lynch; por outro, é um dos que mais faz concessões aos fãs de seu cinema. De fato, o miolo do filme é arrastado e está repleto de elementos e seqüências já vistos em sua filmografia – pessoas que desaparecem, diálogos bizarros, etc – mas sem a mesma inspiração de antes. Na verdade, a presença desses “clichês Lynch” tornam Império dos Sonhos uma experiência previsível em alguns momentos.
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terça-feira, outubro 23, 2007

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

(Sidney Lumet, EUA, 2007)

Uma raridade, um filme cuja narrativa não-linear realmente trabalha a favor dele, mantendo a narrativa tensa o tempo todo e revelando novos contextos pras motivações de cada personagem. Assim como Mystic River (filme com o qual será comparado), este Lumet é um policial de premissa comum, que cresce até tornar-se uma poderosa tragédia americana. O que interessa a Lumet é o papel que o dinheiro exerce nas relações afetivas e familiares (como no seriado Família Soprano, embora isto não seja um filme sobre a máfia) – basicamente é a história duma família que se autodestrói por dinheiro. Até mesmo as cenas que poderiam ser um ponto fraco – as explicações psicológicas pro ressentimento entre os personagens – funcionam porque são incompletas, explicam pouca coisa e o filme se beneficia muito disso. Uma obra-prima diabólica. ___________________________________________________________

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As Testemunhas

(André Téchiné, França, 2007)

No fim das contas, talvez as verdadeiras testemunhas do último Téchiné sejam os espectadores. Somos nós que espiamos um grupo de amigos, cujas vidas são marcadas pelo surgimento da AIDS nos anos 80. Téchiné fez um filme sobre detalhes do dia a dia – sexo, amor, casamento – e como esses são afetados pelas transformações duma época. O cineasta francês não condena os estilos de vidas de seus personagens nem os apresenta como curiosidades. Pena que As Testemunhas nunca decole – é até difícil entender o motivo - embora, felizmente, nunca deixe de ser interessante. ___________________________________________________________

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Não Toque no Machado

(Jacques Rivette, França/Itália, 2007)

Não Toque no Machado é um filme orgulhoso de sua raiz literária. Adaptado duma obra de Balzac, Rivette inclui até intertítulos que interrompem a narrativa pra descrever a hora e local de cada cena – e até os sentimentos dos personagens. São dois, aliás: uma duquesa e um general que pouco entende das regras do clero ou da alta sociedade. O que começa como um flerte infantil da parte da duquesa se transforma numa paixão quase doentia da parte do general. Ao longo do filme a relação entre os dois se torna cada vez mais infernal e antagônica. Mesmo assim, na triste conclusão, o general define a história entre eles como “um poema”. Havia sim amor – escondido nas entrelinhas.
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segunda-feira, outubro 22, 2007

A Idade da Terra

(Glauber Rocha, Brasil, 1980)

Dizem que quando Glauber fez este último filme ele já pressentia sua morte. Supondo que seja verdade ele não fez um filme cheio de lamúrias, despedindo-se dos bons velhos tempos e lamentando o mundo atual que não o entendia. Na verdade ele vomitou um petardo alucinado e lúcido, belo e feio – e totalmente compreensível em sua estranheza. Glauber morreu gritando.
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A Coragem de Amar

(Claude Lelouch, França, 2005)

O título deste recente Lelouch não poderia ser mais irônico, já que falta ao cineasta a coragem de amar seus personagens pelo que são. Pelo contrário, o diretor só gosta dos personagens (masculinos) que dizem acreditar no amor romântico. Os personagens (femininos) que buscam outros caminhos – como uma cantora de rua que tenta ser bem sucedida profissionalmente - falham, são punidos, humilhados e morrem. Restam as gêmeas românticas, pacientes e certinhas (e muito chatas) ganharem um casamento de consolação. Se Lelouch não ama seus personagens, por que eu deveria? ___________________________________________________________

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domingo, outubro 21, 2007

Minha programação - 21 a 22/10

21/10 Domingo

Cine Bombril Sala 1
12:00 Império dos Sonhos, de David Lynch

Unibanco Arteplex 2
17:30 De Volta à Normandia, de Nicolas Philibert

HSBC Belas Artes 2
21:00 O Homem de Londres, de Béla Tarr


22/10 Segunda-feira

Espaço Unibanco de Cinema 3
15:30 Cristóvão Colombo: O Enigma, de Manoel de Oliveira (75').

Reserva Cultural Sala 1
19:00 I’m Not There, de Todd Haynes

Ainda não tenho certeza se vou ver alguma coisa a mais na segunda. Como sempre, se vc me reconhecer, pode puxar conversa comigo. ___________________________________________________________

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