sábado, agosto 23, 2008

Fantasmas do Século XX

O que estou escrevendo agora não é uma crítica. Pra começo de conversa, sequer li o livro inteiro. Além disso, faz muito tempo que não escrevo uma crítica literária aqui no blogue e, pelo que me lembro, não sou nada bom nisso. Mesmo assim, fiquem com minha recomendação: Fantasmas do Século XX é bom. Muito bom.

O autor é Joe Hill, filho de Stephen King, e o livro é composto de 17 contos, a maioria dos quais são de terror. A maioria dessas histórias são compostas pelos mais diversos clichês e arquétipos da literatura de horror, mas Hill sempre acha um meio de subvertê-los e contar algo realmente original. A mais subversiva que li por enquanto é a dum rito de iniciação pra tornar-se caçador de vampiros, que joga no lixo as convenções do gênero “jovem entra num ramo violento”. Já outras narrativas são especialmente inusitadas, incluindo uma homenagem divertida A Metamorfose do Kafka; e a triste história dum menino inflável.

Entretanto, o conto que bateu mais forte em mim – pelo menos em termos emocionais – foi Fantasma do Século XX (repare no singular). Conta a história dum velho e a relação que teve a vida toda, desde a infância, com o antigo cinema de rua do qual atualmente é proprietário. Mais importante, narra seu relacionamento – ainda que indireto – com o fantasma que assombra o lugar.

É o espírito duma moça cinéfila que, de tempos em tempos, aparece sentada ao lado de algum espectador incauto e solitário pra conversar sobre o filme que está passando na tela. Existe prova maior de amor pelo cinema do que passar a eternidade assistindo filmes? O desfecho da história – repleta de pequenas surpresas e citações – é lindo e assustador ao mesmo. Leitura obrigatória pra cinéfilos. ___________________________________________________________

Marcadores: , ,

sábado, julho 14, 2007

Corrente Literária

Fui indicado pelo Renato Doho a fazer parte duma corrente literária entre blogues. Pelo que entendi, você posta os últimos cinco livros que leu ou os cinco melhores da sua vida. Você também deve postar os nomes de cinco pessoas que devem continuar a corrente. Embora elas só vão saber se visitarem seu blogue - eu demorei pra visitar o blogue do Renato e perceber a indicação, por exemplo.

Escolhi cinco livros que não tenho certeza se são os melhores que li na vida, mas são ótimos, muito prazerosos de ler e foram escolhas quase imediatas. Nenhum deles é sobre cinema, pra provar que tenho outros interesses na vida. Nenhum é história em quadrinhos porque pra mim quadrinhos não é literatura, mas uma forma de arte diferente.

Em nenhuma ordem de preferência:

O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger - uma escolha meio clichê talvez, mas um ótimo livro, muito envolvente.
O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald - Você pode ter muito e, ainda assim, quase nada.
Se um viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino - Divertido e intrincado. Um livro em que o leitor é o personagem principal.
O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway - Comovente.
A Revolução dos Bichos, de George Orwell - Todos os livros são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.

Já os cinco infel... felizardos pra continuar a corrente são gente que até onde sei não foram escolhidos antes e já comentaram no meu blogue pelo menos uma vez na vida, ou seja, há uma chance de visitarem ele com regularidade e perceberem a indicação. Eles são:

Filipe Furtado, Sérgio Alpendre, Francis Vogner, Guilherme Martins, Milton do Prado
___________________________________________________________

Marcadores:

sexta-feira, março 16, 2007

Cinema de Invenção

Cena de O Guru e Os Guris, curta do Jairo Ferreira

Maurice Legeard contracena com o melhor ator do curta

Hoje finalmente achei e comprei um exemplar de Cinema de Invenção, do Jairo Ferreira. Cara, isso vai ser divertido.
___________________________________________________________

Marcadores: , ,

quinta-feira, março 16, 2006

OS ATRASADOS

Nos últimos dias estive ocupado terminando minha monografia pra faculdade. Ontem, finalmente entreguei suas 58 páginas. Pros curiosos, o assunto era a HQ Maus – A História de Um Sobrevivente. Pra quem não leu basta dizer que é, sem exagero, uma das maiores histórias em quadrinhos de todos os tempos. Bom, voltando ao assunto, O Negativo Queimado deixou de ser atualizado quase diariamente como eu costumava fazer.

Com isso deixei de escrever sobre diversos filmes, livros e quadrinhos. Isso quando arranjei tempo para ver filmes, ler livros, etc. Bom, resumindo, é muita coisa atrasada para escrever críticas de 1500 caracteres como costumo fazer. Também não quero escrever comentários de duas linhas. Por isso, segue abaixo apenas a cotação dos atrasados. Espero daqui pra frente atualizar o blog com mais freqüência.

FILMES


Elas Me Odeiam Mas Me Querem (She Hate Me, 2004, de Spike Lee,) - ***
Ritmo de Um Sonho (Hustle & Flow, 2005, de Craig Brewer) - *
O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005, de Ang Lee,) - ***
Sra. Henderson Apresenta (Mrs. Henderson Presents, 2005, de Stephen Frears) - *
Tale of Two Sisters (idem, 2003, de Kim Jee-Woon) - ***

LIVROS


A Sangue Frio (In Cold Blood, 1965, de Truman Capote) - ****

QUADRINHOS


Crise de Identidade # 1-7 (Identity Crisis # 1-7, 2004/2005, de Brad Meltzer e Rags Morales) - *** ___________________________________________________________

Marcadores: , , ,

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

LIVRO: Drácula

Drácula (idem, 1897, de Bram Stoker, tradução de Vera M. Renoldi) – ***

Drácula, escrito por Bram Stoker em 1897, foi eternizado no cinema. Talvez porque a sétima arte mostra o que Stoker apenas descreve. A primeira adaptação cinematográfica foi dirigida por F. W. Murnau – Nosferatu (1922). Francis Ford Coppola dirigiu a última em 1992, fiel à obra inclusive nas ambigüidades sexuais. O maior acréscimo do cineasta foi a paixão entre Mina Murray e Drácula – inexistente no texto original.

Aliás, o livro me espantou com sua narrativa de múltiplos pontos de vista. São cartas, telegramas e diários – redigidos por personagens diferentes. Cada evento ganha diversas versões. Até Drácula muda aparência e personalidade em cada relato. Como todo monstro, representa medos e desejos inconscientes. Ele simboliza o que a Inglaterra (vitoriana, protestante, industrial) rejeita. Ou seja: sexo, catolicismo e superstição.

Mas – para Mina – o que significa Drácula? Uma (morte) vida fora de igreja e sociedade. Portanto uma ameaça ao seu casamento com Jonathan Harker. É comovente a luta dela para rejeitar o vampiro e preservar seus valores. Mina é o melhor personagem do romance. Por isso fico revoltado quando Harker ou Van Helsing ganham destaque em cinema e HQs. Culpa do machismo, há séculos chupando o sangue feminino. ___________________________________________________________

Marcadores: , ,