Fantasmas do Século XX

O autor é Joe Hill, filho de Stephen King, e o livro é composto de 17 contos, a maioria dos quais são de terror. A maioria dessas histórias são compostas pelos mais diversos clichês e arquétipos da literatura de horror, mas Hill sempre acha um meio de subvertê-los e contar algo realmente original. A mais subversiva que li por enquanto é a dum rito de iniciação pra tornar-se caçador de vampiros, que joga no lixo as convenções do gênero “jovem entra num ramo violento”. Já outras narrativas são especialmente inusitadas, incluindo uma homenagem divertida A Metamorfose do Kafka; e a triste história dum menino inflável.
Entretanto, o conto que bateu mais forte em mim – pelo menos em termos emocionais – foi Fantasma do Século XX (repare no singular). Conta a história dum velho e a relação que teve a vida toda, desde a infância, com o antigo cinema de rua do qual atualmente é proprietário. Mais importante, narra seu relacionamento – ainda que indireto – com o fantasma que assombra o lugar.
É o espírito duma moça cinéfila que, de tempos em tempos, aparece sentada ao lado de algum espectador incauto e solitário pra conversar sobre o filme que está passando na tela. Existe prova maior de amor pelo cinema do que passar a eternidade assistindo filmes? O desfecho da história – repleta de pequenas surpresas e citações – é lindo e assustador ao mesmo. Leitura obrigatória pra cinéfilos. ___________________________________________________________
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