domingo, dezembro 31, 2006

Feliz Ano Novo!

Abaixo estão fotos dos aproximadamente 1200 melhores minutos que tive no cinema em 2006. Espero que 2007 seja um ano emocionante pra todos vocês, tanto dentro quanto fora da tela. Feliz Ano Novo!










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sexta-feira, abril 28, 2006

DIVERSÃO GARANTIDA, UM ASSUNTO MUITO SÉRIO


Na edição 2 da revista Paisà há uma entrevista (obrigatória) com Inácio Araújo. O crítico, referindo-se aos geniais cineastas Carpenter e Romero, faz uma afirmação brilhante. Ele diz que "eles não fazem o filme que o espectador quer, mas adivinham o que o espectador quer ver". Agora eu pergunto: essa frase fantástica pode ou não ser usada emprestada para definir o ótimo O Plano Perfeito de Spike Lee?

Não quero fazer uma comparação simplória com Carpenter e Romero. Claro, O Plano Perfeito é cinema de gênero com subtexto político (definição que abrange praticamente tudo dos outros dois). Porém, quero chamar atenção para outra questão. Muitos críticos falaram que O Plano Perfeito, apesar de ser cinema comercial, é um ótimo Lee. Até concordo. Estão presentes temas familiares do cineasta, como racismo e o trauma do 11 de setembro (A Última Noite). Aliás, levando em conta o último fator, é emblemática a cena em que a polícia atira nos reféns. Contudo, não lembro de nenhum crítico comentar que O Plano Perfeito é excelente naquilo que se propõe ser: entretenimento.

Estou falando de como a câmera aparentemente desleixada sempre encontra o enquadramento certo para passar a emoção de cada cena. Ou da decupagem quase perfeita e da narrativa que vai e volta no tempo, brincando com as reviravoltas da história. Sem esquecer os personagens (tipos novaiorquinos fascinantes) e seus diálogos saborosos. Aliás, o filme é tão engraçado que quase se transforma numa paródia dos filmes de assalto.

Sim, O Plano Perfeito cumpre a tabela dos filmes de assalto (os clichês, as pegadinhas de roteiro, etc). Mas nas entrelinhas ele cria, inventa, sabota o gênero ao qual pertence. Enfim, Lee fez "um filme que o espectador quer ver", mas não do jeito que ele está acostumado a ver. Claro que mencionar em críticas o subtexto político de Lee é importantíssimo. Mas por que os críticos esqueceram de dizer o quanto o filme é divertido? Os elementos cinematográficos que o tornam diversão garantida podem até ser fáceis de discutir numa crítica. Mas isso não os torna menos charmosos e importantes.

O Plano Perfeito (Spike Lee, 2006) = 8 ___________________________________________________________

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