sábado, maio 03, 2008

04.03 The Ties That Bind

(Michael Taylor, 2008)

SPOILERS: É muito difícil dizer qual é a “mensagem” principal de Battlestar Galactica. Por exemplo, há momentos em que a série parece condenar as atitudes autoritárias que a Presidente Laura Roslin costuma tomar e há momentos em que liberdades civis parecem estupidez num período em que a humanidade corre risco de extinção. Acrescente o fato de que todos os personagens são capazes tanto de ações edificantes quanto repulsivas e temos um programa em que a linha entre bons e maus às vezes é invisível.

Vejamos os quatro cylons récem-revelados – Coronel Tigh, Tyrol, Tory e Sam Anders. Eles são pessoas íntegras, que precisam esconder sua natureza cylon das outras pessoas sob risco de serem injustamente perseguidos pelos humanos, certo? O episódio The Ties That Bind mostra que isso não é 100% verdade. Quando Cally – esposa de Tyrol – descobre que seu marido é cylon, ela enlouquece (já estava sofrendo de depressão) e decide pular no vácuo espacial com seu bebê.

Tory chega a tempo de convença-la a desistir do suicídio. Mas assim que Cally entrega seu filho pra nova “amiga”, Tory retribui assassinando Cally assim mesmo – pra não correr o risco dela revelar o segredo do quarteto. Juntando esse episódio com o de LOST, foi a semana dos assassinatos cruéis de personagens secundários.

Então Tory é “má”? Sua atitude não só vai criar um racha no grupo quando for descoberta, como – dos quatro – ela é quem mais tem gostado de ser cylon. Mas eu tenho certeza que em algum episódio posterior essa dedução também será posta em cheque. E assim será com todos os personagens, até o final desta última temporada, quando poderemos dizer quem era bom e quem era mau – talvez.

Reunião Cylon – traição à vista:

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sexta-feira, abril 25, 2008

04.01 He That Believeth in Me

(Michael Rymer, 2008)

Estou começando uma experiência com este post: vou escrever críticas de (não todos, só os mais importantes) episódios dos seriados de TV que assisto, ao invés de criticar temporadas completas.

SPOILERS: Onde estávamos quando a terceira temporada de Battlestar Galactica terminou? Bem, assim que Gaius Baltar foi inocentado de trair a humanidade, a frota dos menos de 40 mil sobreviventes da espécie humana foi encurralada por uma frota Cylon muito mais numerosa. Ao mesmo tempo, quatro de nossos heróis (Coronel Tigh, Tyrol, Tory e Sam Anders) descobriram horrorizados que não são humanos, mas Cylons disfarçados. Com a humanidade à beira da extinção, uma ressuscitada Starbuck surgiu em sua nave anunciando que descobriu o caminho pra Terra.

No começo deste primeiro episódio da quarta temporada – He That Believeth in Me – tudo é resolvido de maneira relativamente rápida, mas eletrizante. Enquanto humanos e Cylons travam uma violenta batalha espacial, um hesitante Sam Anders se junta aos pilotos humanos e tem sua verdadeira natureza descoberta pelos inimigos num exame de retina – feito no meio do combate! A frota Cylon misteriosamente se retira, deixando pessoas como a Presidente Laura Roslin e o Almirante Adama desconfiados do milagroso retorno de Starbuck (ela tinha sido desintegrada no espaço meses atrás).

E quem pode culpá-los? Apesar de ser uma série de ficção científica – com alusões bem atuais à política americana – Battlestar Galactica sempre flertou com o misticismo. A própria Roslin é uma figura messiânica, guiando a humanidade em direção a Terra com suas visões. Mas Starbuck, apesar de acreditar que a frota está na direção errada, não tem como provar onde esteve ou como chegar lá, exceto através duma forte e estranha intuição. Pior, sua história sobre o que ocorreu após sua suposta morte é tão cheia de furos que deixa até o espectador mais crente pensando que é tudo um truque Cylon.

Em compensação, surge outro candidato a messias: Baltar, que passa a morar com um grupo de mulheres que o cultuam como um profeta, algo que ele próprio renega. No começo, o culto parece ser apenas uma oportunidade pra Baltar se proteger e transar, mas ao conhecer o filho doente duma das devotas ele oferece com sinceridade sua vida pela do menino numa oração. Pouco tempo depois, Baltar sofre um atentado e escapa duma maneira que deixa até o espectador mais cético acreditando em milagres.

Portanto, ao trazer o misticismo pro primeiro plano da trama, He That Believeth in Me lembra os fãs que além de guerra, política e naves espaciais, Battlestar Galactica também é um seriado sobre fé e religião. Em quem você acredita que o levará ao “caminho certo” (literal e metaforicamente falando) deve ser o grande dilema daqui pra frente.

Vinheta introdutória - 11 dos 12 modelos Cylon:



O retorno de Starbuck:

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