segunda-feira, maio 05, 2008

01.02 Ladies Room

(Alan Taylor, 2007)

SPOILERS: Como o título sugere, o enredo de Ladies Room foca nas principais personagens femininas de Mad Men (ambas ligadas ao protagonista): a nova secretária de Don, Peggy (Elisabeth Moss); e sua esposa Betty (January Jones, surpreendente).

A trama de Peggy começa promissora. Semanas após dormir com um colega (que se casou e viajou em lua-de-mel), ela ainda está perplexa e revoltada com o fato de que todos os homens do lugar querem dormir com ela. Então ela conhece um funcionário simpático que mostra os diversos departamentos da agência e explica que Peggy pode ser mais que uma secretária. Pena que o desfecho dessa história seja previsível demais: o gentil colega se mostra mais um canalha.

Em compensação, a trama de Betty é mais interessante. Apesar de Don ser infiel, ambos parecem ter um relacionamento estável, carinhoso e bem resolvido sexualmente. Mas as rachaduras aparecem: Betty mal conhece o marido (Don se esquiva de perguntas sobre seu passado, o que sugere que ele tem algo a esconder), está insatisfeita como dona de casa e às vezes perde o controle das próprias mãos. Ela quer ver um psicólogo, mas Don é contra.

Porém, depois que Betty perde o controle do carro por causa de seu misterioso problema nas mãos, seu marido muda de idéia e a encoraja a ir. Ou seja, Don realmente ama e se preocupa com o bem-estar da esposa. Mas também é um homem de sua época: à noite o psicólogo de Betty telefona pra ele relatando tudo que ela disse durante a sessão. Don quer ser a solução dos problemas de Betty, mas não percebe que é parte do problema.

Peggy – inconformada com os homens da agência:

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quarta-feira, abril 30, 2008

01.01 Smoke Gets in Your Eyes

(Alan Taylor, 2007)

Mad Men é uma história de sucesso. Seu criador, Matthew Weiner, escreveu em 1999 o roteiro do primeiro episódio, Smoke Gets in Your Eyes. David Chase (criador de Família Soprano) leu e ficou tão impressionado que o contratou. Como roteirista, Weiner trabalhou em episódios excelentes como Kennedy and Heidi, talvez o melhor da última temporada. Após o final de Família Soprano, Weiner tornou Mad Men realidade no canal AMC. Aqui no Brasil, o programa está sendo exibido semanalmente pela HBO.

SPOILERS: Quando o episódio começa, vemos a nuca de um homem. Quem é ele? Nós descobrimos que seu nome é Don Draper (Jon Hamm, magnífico), um bem-sucedido publicitário trabalhando em Nova York no ano de 1960 – quando todo mundo fumava e bebia muito. A pergunta, entretanto, persiste: quem é Don Draper?

Bom, Don é herói de guerra, parece um galãs dos anos 50, namora uma beatnik (apesar dele ter valores conservadores) e defende sua nova secretária dum colega grosseiro – a expressão “assédio sexual” ainda não existia. Ele até se esquiva dum flerte da novata agradecida. Contudo, nada disso responde a questão do parágrafo anterior. Afinal, deveria ser ótimo ser Don, mas seus olhos traem uma certa vulnerabilidade interior. A resposta talvez apareça no fim do dia, quando descobrimos que Don é casado e pai de duas crianças.

O episódio termina com ele observando os filhos na companhia da esposa, numa imagem que sugere o quanto seu lar é um refúgio contra as pressões do serviço e dum futuro incerto. Pois em alguns anos tudo que Don conhece vai mudar – o papel das mulheres no mercado de trabalho, a imagem dos cigarros e bebidas e mais uma porção de coisas que fazem parte do seu modo de vida. Talvez seja ótimo ser Don, mas não deve ser fácil.

Peggy, a secretária nova:

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