O Sonho de Cassandra

Entendo porque a “fase européia” de Woody Allen tem sido celebrada como um renascimento para o cineasta. Seus últimos longas apresentam temáticas sombrias (até a comédia Scoop girava em torno de assassinatos) e um rigor nos enquadramentos que ele tinha perdido. Mas, por favor, me deixem de fora dessa festa.
Os filmes em que Allen tenta dizer algo importante e sombrio sobre a existência humana costumam ser os mais irritantes. Os personagens agem de forma mecânica, conduzindo a trama na direção da tese que o cineasta quer provar. Veja O Sonho de Cassandra. Muita coisa no terceiro (e mais fraco) ato do filme depende das atitudes convenientemente inflexíveis do personagem de Colin Farrell.
Nenhuma novidade: o desfecho de Match Point também dependia da inflexibilidade de Scarlett Johansson. Nos dois filmes, aliás, Allen se distancia desses personagens quando eles passam a ser problemáticos. Há outras semelhanças. Em ambos os longas sobram diálogos didáticos sobre os papéis que Deus, a sorte e a arte têm em nossas vidas. Mas em Match Point eles pelo menos ajudavam a construir um sentido. Em O Sonho de Cassandra, Allen nem tem certeza de qual tese está defendendo.
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