segunda-feira, janeiro 07, 2008

Meu Nome Não é Johnny

(Mauro Lima, 2008)

Um amigo visitou recentemente meu blog, viu a cotação que dei pra este filme e mandou um e-mail. Ele disse que o trailer parecia um compacto do longa em dois minutos: Selton Mello curte a vida, vai pra Europa, é preso e se redime no tribunal. Ele queria saber se o filme era só isso, pra esperar por ele nas locadoras e poupar R$ 18,00.

Respondendo meu amigo: de fato, o filme é isso aí. Um conto moralista sobre como não compensa alcançar as fantasias da classe média (dinheiro sem trabalhar, turismo internacional) através do tráfico. A lição fica clara quando a câmera adota pela primeira vez o ponto de vista subjetivo do personagem de Mello – João Estrella – ao entrar na prisão, filmada como um zoológico de pretos ferozes e estúpidos. Acrescente também que Meu Nome Não é Johnny gira o tempo todo em torno das piadinhas do Mello, às custas de narrativa e personagens. Ficamos sem saber, por exemplo, os detalhes dos négocios de João com seus “sócios”, já que estes entram e saem da trama sem ganhar importância.

Contudo, apesar de tudo isso, em nenhum momento detestei o filme (embora a cotação lá em cima sugira o contrário). Achei simpático o esforço de Mauro Lima em retratar João Estrella como um anti-herói trágico de tão inconseqüente: apesar de ganhar rios de dinheiro, ele gastava tanto que não conseguia pagar a conta de luz. Nesses momentos eu percebia que havia potencial prum filme bem melhor que aquele que estava vendo.

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